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Um bolo e um poema para a nossa Assim Comássim, que faz aninhos hoje!!! Muitos Parabénssssssssssssss!
PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante-
ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Cesariny, Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
1 Comments:
Querida amiga, esquece lá se é "branco" ou "amarelo torrado"...
Que melhor presente poderia eu almejar [;)] do que esse hino visceral [;)] ao riso e à liberdade, aos bolos e ao vício, à coragem e à dentadura branca e lavada??!!!
O dia amanheceu triste e chuvoso, mas aqueceste-me a alma (e a cozinha!) com as palavras desse que é o poeta português mais livre e desbocado de todos os tempos!
Ai granda Cesariny! Coisa mai linda e mai boa!!! Nhaka!
Muitos beijoooooooooooos
(amei os muñecos!)
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